Por trás de cada trapaça que entra numa partida de Call of Duty há uma economia maior construída em cima de revendedores, ferramentas remarcadas, contas ilícitas e clientes entregando mais dados do que imaginam.
De fora, trapacear em Call of Duty pode parecer bem simples.
Alguém baixa uma trapaça, manipula os comandos do controle, entra numa partida e estraga a experiência de todo mundo. O que a maioria dos jogadores não vê é o mercado por trás disso.
Os vendedores de trapaças construíram um mercado gigantesco e multibilionário de revendedores, serviços de assinatura, trapaças disfarçadas, contas ilícitas, ferramentas de falsificação e redes de distribuição organizadas.
Como a trapaça na indústria é sustentada por vastas redes ilícitas de crime organizado, a equipe do RICOCHET Anti-Cheat não combate a trapaça a nível individual. Nós enfrentamos o mercado da trapaça de vários ângulos, mirando na infraestrutura, nas redes de distribuição e nos operadores que movimentam a economia da trapaça.
O RICOCHET Anti-Cheat combina detecções, segurança de conta, aplicação do TPM 2.0, investigações aprofundadas e ações legais para o combate a esse mercado. Cada camada atinge uma parte diferente do mercado: trapaças e comportamentos de trapaça, contas substitutas, hardware e tentativas de evasão, redes de distribuição e as pessoas que as operam.
Uma análise de fevereiro da plataforma de inteligência de ameaças Intorqa estimou que as assinaturas de trapaças em 15 jogos geram cerca de US$ 3,5 bilhões anualmente. Se incluídas indústrias adjacentes, como de venda de contas, impulsionamento, falsificação e outros serviços, a Intorqa prevê que a economia da trapaça como um todo movimente cerca de US$ 8,5 bilhões por ano.
Os desenvolvedores de trapaças ficam no topo da pirâmide do mercado ilegal.
Embora alguns operem publicamente, muitos se escondem atrás de intermediários, usando revendedores e equipes de suporte para se proteger dos clientes. Eles evitam vendas diretas, marketing e canais de distribuição para não se expor. Abaixo deles, os fornecedores primários colocam os produtos no mercado. Eles vendem trapaças diretamente para os clientes e fornecem a revendedores que expandem o alcance da operação.
Nas camadas mais baixas, revendedores comercializam esses produtos em várias lojas, comunidades e canais de distribuição. O #TeamRICOCHET rastreia centenas desses fornecedores. Os desenvolvedores podem lucrar com uma ampla rede de distribuição, enquanto os revendedores lidam com o trabalho de atendimento ao cliente que gera exposição.
Os vendedores também criam uma ilusão de variedade infinita. Na verdade, muitas trapaças "diferentes" são o mesmo produto com outro logo, nome ou loja.
Nós combinamos a detecção técnica com ações legais contínuas para desestabilizar o ecossistema de trapaças em todos os níveis. Desmantelamos mais de 375 operações de revendedores, emitimos mais de 80 notificações de cessar e desistir e ajudamos a fechar 31 fornecedores primários de trapaças.
Ações legais atacam diretamente a receita, os canais de pagamento e as relações comerciais que mantêm essas operações, tornando o mercado da trapaça cada vez mais difícil de sustentar.
Os jogadores sentem esse impacto quando os provedores de trapaça desaparecem ou um trapaceiro não consegue voltar para a partida. O que pode parecer uma interrupção aleatória de trapaça ou de revendedor é, na verdade, um indicativo da pressão se espalhando pela economia da trapaça.
Vendedores de trapaças costumam usar táticas de marketing e publicações em redes sociais para fazer suas operações parecerem estáveis, mesmo quando elas estão sob enorme pressão. Já vimos desenvolvedores de trapaças usando redes sociais para explicar meses de inatividade com desculpas como "gripe", "cirurgia" ou "acidente de carro" em vez de admitir que seu produto foi detectado e não é mais confiável.
Essas mensagens fazem parte da estratégia que eles usam para tranquilizar os clientes enquanto nossos sistemas desestabilizam suas redes.
Os Três Pilares do Mercado
O ecossistema da trapaça depende de três categorias conectadas: trapaças, contas e evasão. Cada uma alimenta a outra, e juntas elas mantêm a operação funcionando.
Trapaças
Essa é a categoria que a maioria dos jogadores reconhece primeiro.
Modificadores de mira. Wallhacks. Trapaças para irritar. Ferramentas de desbloqueio. Hardware de trapaça com base em DMA. Dispositivos e ferramentas externos projetados para manipular a jogabilidade, incluindo Cronus, XIM e Titan.
Os vendedores de trapaças oferecem acesso de várias formas: assinaturas mensais, taxas de acesso semanais ou pacotes premium. Eles costumam comercializar esse tipo de produto como "privado", "personalizado" ou "exclusivo", mesmo quando redes de revendedores distribuem as mesmas ferramentas amplamente pelo mercado.
O RICOCHET Anti-Cheat combate essas ferramentas com uma abordagem em camadas. As detecções técnicas procuram softwares não autorizados interagindo com o jogo, enquanto sistemas comportamentais analisam a jogabilidade ao longo do tempo em busca de padrões associados à assistência automatizada, ajudando a informar investigações e ações contra as contas que os usam.
Contas
Trapaceiros precisam de contas. Quando a fiscalização remove essas contas de circulação, o mercado tenta substituí-las imediatamente.
A demanda criou uma economia que se baseia no comércio de contas de acesso roubado, contas antigas, contas prontas para o Jogo por Ranking e serviços de impulsionamento.
Esse mercado existe num cenário mais amplo de roubo de contas. O Consumer Financial Protection Bureau citou uma pesquisa com 10.000 jogadores pelo mudo, e um em cada três disse que teve a conta de jogo hackeada nos últimos dois anos.
Conforme a segurança das contas melhora, fica mais difícil conseguir contas substitutas e mais caro depender delas. Nossos requisitos de autenticação de dois fatores ajudam a proteger os jogadores de terem suas contas comprometidas e reduzem o suprimento de contas descartáveis ou roubadas que os trapaceiros usam para voltar para o jogo depois de serem punidos.
Proteções baseadas em hardware adicionam mais uma camada de dificuldade. O TPM 2.0, a Inicialização Segura e o Atestado Remoto ajudam a estabelecer confiança antes de uma partida ao garantir a integridade do PC. Juntos, o fortalecimento da segurança de conta e as verificações de integridade de dispositivo forçam os trapaceiros a migrar para serviços mais caros e aumentam o custo geral para continuar ativo dentro do ecossistema.
Evasão
O terceiro pilar ajuda os infratores reincidentes a evitar a detecção e a aplicação de medidas baseadas em hardware.
Os vendedores oferecem falsificadores de dados, ferramentas de evasão e serviços relacionados para ajudar os trapaceiros a voltarem para o ecossistema depois de uma ação de fiscalização. Conforme a segurança evolui, os vendedores continuam procurando jeitos de burlá-la. Nossas detecções comportamentais e técnicas, em conjunto com requisitos de segurança atualizados como o Atestado do Microsoft Azure, nos ajudam a combater os resultados disso.
As proteções do RICOCHET Anti-Cheat dificultam a entrada desses falsificadores de dados, e nossos recursos aprimorados de banimento de hardware mantêm os trapaceiros longe. No mês passado, aplicamos mais de 70.000 banimentos de hardware como parte da nossa luta contra a trapaça.
Cada pilar sustenta os outros. Quando a pressão atinge uma parte do mercado, a instabilidade se espalha por todo o ecossistema.
Falsa Variedade
Um dos maiores equívocos sobre o mercado de trapaças é que os jogadores têm acesso a uma ampla gama de produtos únicos. Muitos desenvolvedores vendem as mesmas trapaças com nomes diferentes. Em alguns casos, quem vende a trapaça não foi quem a criou. Os revendedores podem comprar, reutilizar, modificar ou roubar o código-fonte e relançá-lo com uma nova marca. A mesma trapaça pode aparecer sob vários nomes de marca ao mesmo tempo, e os vendedores se beneficiam dessa confusão porque ela ajuda o produto detectado a sobreviver por mais tempo, fragmenta as comunidades que discutem banimentos e cria a ilusão de inovação onde não há quase nenhuma.
O mercado de revendedores também cria espaço para golpes.Os vendedores desaparecem depois de receber pagamentos em "golpes de saída" ou ficam em silêncio durante períodos de detecção, alegando que foram alvo de ações legais, e depois mudam de marca e reabrem em outro lugar.
O ecossistema se baseia em desinformação tanto quanto em software e hardware, e é por isso que miramos não só nos distribuidores primários, mas também nos revendedores que tentam mudar a cara de cada trapaça detectada.
O que Vendedores de Trapaças Realmente Ganham de Seus Clientes
Os vendedores de trapaças fazem mais do que só vender software. Eles também coletam dados de clientes que desativam as proteções de segurança, colocando seus sistemas e a si mesmos em risco.
Muitas comunidades de trapaças exigem que os usuários verifiquem suas contas antes de acessar fóruns privados ou downloads, usando esquemas de autenticação que podem expor endereços IP reais, perfis do Discord vinculados, informações de hardware, endereços de e-mail, detalhes de pagamento e outras informações de identificação. Outros fornecedores vão além, exigindo identificação com foto como parte do requisito de acesso.
Os desenvolvedores de trapaças também incorporam malware nos seus produtos.
Aumentando o Custo da Trapaça
Trapacear é caro, e a pressão no ecossistema aumenta esse custo.
Trapaças por assinatura podem custar, em média, 40 dólares por mês, e as mais caras podem ter custo superior a 100 dólares. Falsificadores de informações adicionam outra taxa recorrente. Isso significa que um trapaceiro pode gastar mais de $1.000 por ano só para trapacear. Hardware e serviços relacionados a DMA aumentam o custo ainda mais.
Em um ano, alguns jogadores gastam centenas de dólares, ou até milhares, tentando ter acesso a trapaças, ferramentas de evasão e contas substitutas.
No fim, trapacear é um investimento que não compensa. Toda vez que identificamos e removemos um trapaceiro, o dinheiro que ele gastou trapaceando vai para o ralo, e tudo por um impulso temporário ao ego. O RICOCHET Anti-Cheat torna a trapaça cada vez mais difícil, arriscada e cara de manter. Nossos sistemas em camadas tensionam todo o mercado, e isso muda o comportamento.
O ecossistema está sempre mudando. Nós também.